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OFÍCIO INTERNACIONAL Nº 214/2026 – GPR
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
PALÁCIO DO PLANALTO
Gabinete do Presidente da República
Brasília, 22 de julho de 2026.
Ao Palácio da Aurora
Montavia
Assunto: Resposta à mensagem de reaproximação diplomática
O Gabinete do Presidente da República acusa o recebimento da correspondência encaminhada por esse Palácio, por meio da qual são apresentadas manifestações de pesar pelos acontecimentos passados e demonstrada a intenção de reconstruir uma relação baseada no diálogo, no respeito mútuo e na cooperação.
Inicialmente, registramos nossa surpresa com o teor da mensagem. Esta administração, de fato, não esperava que uma iniciativa dessa natureza partisse daqueles que, durante a crise diplomática entre o Brasil e Montavia ocorrida entre 2024 e 2025, estiveram entre os principais agentes responsáveis pelo agravamento das tensões.
Conforme registrado pelos órgãos competentes da República Federativa do Brasil, a crise foi intensificada por campanhas de desinformação disseminadas em grupos privados e restritos na plataforma Instagram, canais aos quais o Governo brasileiro não possuía acesso ou possibilidade de resposta institucional. Segundo os registros de inteligência disponíveis à época, tais conteúdos foram amplamente compartilhados, inclusive por integrantes da liderança montaviana, contribuindo para a disseminação de sentimentos hostis contra o Brasil em grande parte da Europa, frequentemente sob a justificativa de que o país "merecia" tal tratamento.
Embora reconheçamos que pessoas, governos e instituições possam rever posições e modificar seus comportamentos ao longo do tempo, entendemos que os acontecimentos daquele período produziram consequências diplomáticas profundas, cujos efeitos ultrapassam a competência exclusiva do Governo brasileiro.
Atualmente, Montavia permanece submetida a sanções impostas pelas onze nações-membros do Mercosul, em conformidade com resolução aprovada pelo Parlamento do Mercosul (Parlasul), destinada à proteção dos Estados integrantes do bloco diante de ameaças à estabilidade regional. Nessas circunstâncias, qualquer iniciativa unilateral de reaproximação por parte do Brasil violaria compromissos assumidos no âmbito do Mercosul e poderia resultar na aplicação de medidas contra a própria República Federativa do Brasil.
Em razão desse cenário, este Governo encontra-se juridicamente e diplomaticamente impossibilitado de promover, neste momento, uma normalização bilateral independente.
Acrescenta-se que este Gabinete também tomou conhecimento, por intermédio de informações repassadas pelo senhor Cauã Rodrigues, membro da Central dos Fundadores, e posteriormente encaminhadas aos órgãos integrantes do Sistema Brasileiro de Inteligência, de que, há aproximadamente três meses, ainda teriam sido proferidas manifestações fazendo referência à alegada "superioridade" europeia e à "inferioridade" brasileira. Naturalmente, tais informações também são consideradas na avaliação do atual contexto diplomático.
Ainda assim, esta administração reconhece que mudanças de postura podem ocorrer e entende que a disposição para o diálogo deve ser analisada com responsabilidade institucional.
Dessa forma, informamos que o Governo da República Federativa do Brasil está disposto a submeter eventual processo de reaproximação diplomática à apreciação dos órgãos competentes do Mercosul. Para tanto, será encaminhada solicitação ao Parlamento do Mercosul (Parlasul), visando deliberar sobre a possibilidade de autorização para abertura de negociações formais entre as partes.
Caso o Parlamento do Mercosul aprove tal autorização, o Governo brasileiro estará apto a retomar o diálogo institucional dentro dos limites estabelecidos pelo ordenamento do bloco.
Na hipótese de deliberação contrária, permanecerão vigentes as restrições atualmente existentes, impossibilitando qualquer avanço nas relações diplomáticas bilaterais.
Renovamos nossos protestos de elevada consideração e respeito institucional.
Gabinete do Presidente da República
Palácio do Planalto
República Federativa do Brasil