- Portal BBR
- Privacidade
ELETROBRAS ELETRONUCLEARNOTA OFICIAL À IMPRENSA E À SOCIEDADE BRASILEIRA
ELETROBRAS ELETRONUCLEAR
NOTA OFICIAL À IMPRENSA E À SOCIEDADE BRASILEIRA
Usina Nuclear Almirante Álvaro Alberto — Angra dos Reis (RJ)
A Eletrobras Eletronuclear vem a público prestar esclarecimentos detalhados acerca do incidente registrado na tarde e noite desta data nas dependências da Usina Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, reafirmando seu compromisso permanente com a transparência institucional, a segurança nuclear, a proteção ambiental e a integridade da população brasileira.
Desde o primeiro alerta operacional, todos os protocolos internos de resposta emergencial foram imediatamente ativados, envolvendo equipes técnicas, operadores de segurança nuclear, brigadas de incêndio, especialistas em proteção radiológica, engenheiros responsáveis pela planta industrial e órgãos externos de apoio. O objetivo prioritário foi, desde o início, garantir controle absoluto da situação, preservar vidas humanas e assegurar a estabilidade estrutural da instalação.
Esclarecimento inicial sobre o ocorrido
O evento teve origem em uma microexplosão registrada na sala de condensadores, área pertencente ao circuito secundário da usina. Esse setor é responsável pelo processo de resfriamento da água utilizada no ciclo térmico, etapa posterior ao funcionamento do reator nuclear. Em razão da ruptura de uma tubulação do sistema de condensamento, houve liberação súbita de vapor e pressão interna, desencadeando um incêndio industrial de grandes proporções restrito àquele ambiente técnico.
A Eletronuclear reforça de maneira inequívoca que o reator nuclear não foi atingido, não sofreu danos estruturais e permaneceu integralmente seguro durante todo o evento. Não houve comprometimento do núcleo do reator, não houve falha de contenção nuclear e não ocorreu qualquer liberação radiológica para o meio externo.
Correção de informações divulgadas publicamente
Nas horas seguintes ao incidente, diversas reportagens foram veiculadas em caráter emergencial, algumas contendo interpretações incorretas dos fatos. Entre elas, destacou-se a circulação de notícias mencionando a existência de um suposto “líquido azul radioativo”.
A Eletronuclear esclarece que tal descrição não possui base científica. No campo da engenharia nuclear, substâncias radioativas não apresentam coloração luminosa visível ao olho humano. Não existe material nuclear operacional identificado como líquido azul brilhante.
As imagens que circularam correspondem a efeitos visuais produzidos pela iluminação de emergência da usina combinada com fumaça proveniente do incêndio industrial. O fenômeno observado não teve natureza nuclear, tampouco radiológica.
Sistema elétrico e o brilho azul observado
Durante o incidente, a interrupção momentânea da energia interna da unidade levou à ativação automática dos sistemas independentes de emergência. A sala do reator e áreas estratégicas passaram a operar por meio de geração elétrica reserva, equipada com iluminação técnica de tonalidade azulada destinada a garantir visibilidade operacional mínima em situações críticas.
Essa iluminação se expandiu para corredores técnicos, regiões adjacentes à sala de controle e áreas próximas ao edifício do reator. O brilho azul registrado em vídeos e fotografias foi resultado direto desse sistema de segurança, projetado precisamente para cenários de contingência operacional.
Não houve reação nuclear visível, nem emissão luminosa decorrente de radiação.
Sobre o brilho vermelho e a fumaça registrada
Também foram divulgadas imagens mostrando fumaça avermelhada nas proximidades da área afetada. Esse efeito visual ocorreu pela ativação automática das luzes vermelhas de emergência instaladas nas entradas das zonas técnicas. A fumaça densa refletiu essa iluminação, criando aparência incomum nas imagens captadas.
O tom avermelhado esteve igualmente associado ao próprio incêndio industrial ocorrido na sala de condensamento. Não se tratou de fenômeno químico ou nuclear anormal.
Situação do reator no momento do evento
É importante registrar que o reator encontrava-se desligado no momento da ocorrência. Técnicos realizavam procedimentos preliminares de preparação operacional quando a microexplosão ocorreu em uma das tubulações do sistema de condensamento.
A unidade ainda não operava em regime pleno de geração energética, o que significa que não havia reação nuclear ativa no instante do acidente. Essa condição operacional contribuiu decisivamente para que o evento permanecesse limitado ao âmbito industrial e não evoluísse para cenário de risco nuclear.
Atuação das equipes de emergência
A resposta operacional foi imediata e coordenada. Brigadas internas da Eletronuclear iniciaram o combate inicial às chamas enquanto unidades do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro foram acionadas e deslocadas rapidamente para o local. Equipes adicionais de apoio chegaram às proximidades da usina, incluindo reforços preventivos oriundos de outras regiões.
Cinco unidades especializadas atuaram diretamente no combate ao incêndio. Em respeito aos protocolos internacionais de segurança radiológica ocupacional, os profissionais trabalharam em ciclos curtos de exposição, permanecendo poucos minutos por vez no interior da sala do condensador antes de realizar revezamento.
Essa metodologia garante proteção integral aos trabalhadores mesmo em ambientes industriais de maior complexidade técnica.
Segurança nuclear e sistemas de contenção
A usina nuclear de Angra dos Reis possui múltiplas barreiras físicas e operacionais de segurança, projetadas para impedir a propagação de qualquer incidente além da área de origem. Cada setor classificado como zona técnica conta com sistemas de dupla porta, compartimentação estrutural, chuveiros de descontaminação e protocolos rigorosos de circulação de pessoal.
Não houve necessidade de implantação de barreiras externas adicionais porque não existia fluido contaminante a ser contido fora da instalação. O próprio projeto da usina já estabelece mecanismos internos suficientes para controle de ocorrências dessa natureza.
Monitoramento radiológico e impacto ambiental
Medições realizadas pelas equipes de proteção radiológica confirmam que os níveis de radiação permaneceram dentro dos padrões normais da instalação. Não foi detectada contaminação ambiental, não houve alteração radiológica fora da área técnica afetada e não existe risco à população, ao mar, à fauna ou à vegetação do entorno.
A Rodovia Rio–Santos permaneceu aberta e operando normalmente durante todo o período, não sendo necessária evacuação preventiva nem restrição de circulação civil.
Investigações técnicas em andamento
A Eletronuclear instaurou imediatamente procedimento técnico interno para análise completa das causas da microexplosão, envolvendo especialistas em engenharia nuclear, manutenção industrial, segurança operacional e análise estrutural. O processo contará com acompanhamento das autoridades reguladoras competentes e seguirá padrões internacionais de investigação de eventos industriais em instalações nucleares.
Todas as evidências técnicas estão sendo preservadas e avaliadas com rigor científico, buscando identificar fatores operacionais, mecânicos ou sistêmicos que tenham contribuído para o ocorrido.
Compromisso com a população brasileira
A Eletronuclear compreende a apreensão natural causada por qualquer evento associado a uma instalação nuclear e reafirma que a transparência é elemento central de sua atuação institucional. Informações continuarão sendo divulgadas conforme novas análises forem concluídas, sempre com base em dados técnicos verificados.
Reiteramos de forma clara e responsável: não houve acidente nuclear, não houve vazamento radioativo e não existe risco à população.
As equipes permanecem mobilizadas, os sistemas seguem monitorados em tempo integral e a segurança continua sendo o princípio absoluto que orienta todas as decisões da empresa.
A Eletronuclear agradece o empenho dos profissionais envolvidos na resposta emergencial, das autoridades públicas e das equipes técnicas que atuaram com rapidez, profissionalismo e responsabilidade na contenção do incidente.
Angra dos Reis, 29 de abril de 2026
ELETROBRAS ELETRONUCLEAR
Diretoria Executiva
Assessoria de Comunicação Institucional